domingo, 19 de fevereiro de 2012

Chevrolet Agile: o Corsa dos tolos

Que desenho mais empolgante...

Em meados de 2009, depois de alguns anos convivendo com a segunda (e atual) geração do Corsa e já cansado de ver as belas fotos do Opel Corsa lá na Europa, imaginava que a GM pudesse trazer ao Brasil (mesmo que depenado e atrasado) a última geração do Corsa.

Mas como um cachorro de porta de bar, que toma chute sem entender o porquê, vi surgir o carro mais feio que a GM poderia fazer até então: o Agile. Que nome para um carro que nada tem de apelo esportivo, não?

Se a feiura fosse seu maior ponto fraco, até que não estaríamos tão mal, mas como o cachorro na porta do bar, depois do chute vem as pedradas.

Um carro que veio para substituir a segunda geração do Corsa foi construído sobre a plataforma do Celta, ou seja, a mesma base do primeiro Corsa, lá de 1994. Em vez de evoluir, o carro andou uma geração pra trás. Nada demais se fosse vendido de forma honesta, como um carro barato e competitivo, mas tentaram empurrá-lo goela abaixo do consumidor, como sendo um carro melhor que o Corsa.

E isso tinha um motivo, aliás dois:

- A GM amerícana estava quebrada em 2009. Sim, quebrada, falida. Tanto que o governo americano comprou 60% de suas ações. Ela precisava de um carro que fosse de baixíssimo custo de produção. O Agile foi criado usando plataforma e motores já muito conhecidos. Fizeram aquele omelete com o que sobrou na geladeira, porém colocam num prato bonito e vendem caro.

- O brasileiro seria facilmente iludido com essa "novidade". Se a propaganda no intervalo da novela falou que é novo e é "do bom", tá falado! Bora pegar um novo carnê na concessionária. E na hora que chegar em casa, contar vantagens para o vizinho, dono do Corsa. Mal sabem que o Corsa (atual) é bem melhor que o Agile, seu sucessor.

Passados três anos de seu lançamento, para nossa sorte, seu sucesso não foi tão grande quanto a GM esperava. Ele luta para ficar entre os dez carro mais vendidos. Ainda assim, é muito mais vendas do que merece.

E eu já ia esquecendo, pior que o Agile é a "nova" Montana. Tiveram a cara de pau de aproveitar o nome Montana e fazer um carro tão horrível, até mais feio que o Agile, tanto que ficou conhecido como Monstrana. Pelo menos é a menos vendida entre as pick-ups pequenas.

Ponto forte da "Monstrana":  ser mais feia que o Agile


A verdade é que a GM ainda vive na inércia do seu sucesso da década de 80 e 90. Mas nos últimos anos parece que o embalo está acabando. O ano de 2012 será marcado pela renovação de boa parte da linha da GM: Cruze, Colbat e S10 já estão na área. Vamos torcer para que venham modelos mais honestos e com preços mais justos.

Pra fechar, um consumidor doido da vida, com a merda de seu Agile:



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Brasil Colônia: Ford Fiesta

O consumidor brasileiro não é levado a sério. O Fiesta nacional está tão "remendado" que a foto parece montagem.

O Brasil é o mercado de ouro para as montadoras de automóveis: produtos defasados vendidos por preços exorbitantes. Os executivos das montadoras, que aqui comercializam seus veículos, devem sentir-se como se ganhassem na loteria, todos os dias.

O exemplo de hoje é o Ford Fiesta. O carro começou a ser vendido aqui em meados de 1995, ainda importado. Nacionalizado no ano seguinte, ganhou mais duas gerações, um facelift na primeira e dois na segunda.

Fiesta e suas versões. Os facelifts de 2008 e 2011, ao que parece, foram feitos por estagiários.

Na figura acima, talvez o leitor perceba que está faltando um carro, que é o "New" Fiesta. Na verdade, é o modelo que foi lançado na europa em 2008, ou seja, já se passaram 4 anos.


A Ford quer que você o veja assim, desvinculado das outras gerações. O que em outros países foi uma evolução natural do modelo, no Brasil, querem te convencer que é um outro carro, um "new" Fiesta. Querem que você o compre como se fosse de uma categoria superior e isso tem um preço, bem alto (a versão hatch começa em R$ 48.950,00 segundo o site da Ford).

Não que o carro não seja completamente novo, mas a questão é que ele deveria substituir o Fiesta atual e não coexistir. Essa moda já é antiga no Brasil, já aconteceu inclusive na mudança do Fiesta 1997~2003 para o modelo 2003~2011.

A Ford vai tentar espremer essa laranja até a última gota e só a partir daí vai baixar os preços e tirar o velho Fiesta, finalmente, de linha.

Cabe a você, consumidor, fazer a sua parte. Evite comprar este Fiesta até que o preço dele seja razoável. A Ford na última semana já anunciou redução de preços tanto do Fiesta 2011 gringo, quanto do fiesta 2011 para brasileiros. Não deixe que a laranja a ser espremida seja a sua.

A questão é dar valor ao seu dinheiro. Mesmo que você tenha cinquenta mil reais para comprar este carro à vista, não deveria comprá-lo.

Você estará aceitando pagar a TBB (taxa babaca brasileiro), engordando ainda mais o cofre das montadoras, e sabe o que vai acontecer? Vão investir num novo projeto lá na europa, e bem... é só reler o post, adicionando seis anos nas datas.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Arigato ou "Arigateau"? Nissan March e o motor francês

A propaganda da Nissan diz: Agora todo mundo pode ter um carro japonês. Será mesmo?

Depois que Civic e Corolla ganharam fama de serem inquebráveis e econômicos, no final da década de 90 e início dos 2000, aqui no Brasil, todo dono de automóvel mais bem informado sonha em ter um carro de olhos puxados. Eis que a Nissan traz o primeiro "carro popular francês japonês" para o Brasil.

Confesso que fiquei entusiasmado ao saber que teria a opção de comprar um carro japonês e pagar menos de R$ 60.000,00 por isso. Porém, quando comecei a levantar a ficha do Nissan March, logo bateu um desânimo: motores 1.0 e 1.6, sendo o 1.0 francês, resultado da parceria Renault/Nissan. Vou comentar apenas sobre o 1.0, que representará maior parte das vendas.

Acredito que 80% do sucesso de Civic e Corolla deve-se aos seus excelentes motores. Geralmente de litragem abaixo de 2.0, sempre foram econômicos, potentes e de baixíssima manutenção. Todo o restante do carro (acabamento, design, equipamentos) era em sua essência bem básico. Quem comprava carro japonês, comprava para ter segurança, tranquilidade e economia.

Voltando ao pequeno Nissan, será que vale a pena ter um carro dito japonês com um motor francês? O leitor pode até dizer que é um carro moderno e que motores modernos não dão tanto problema. Pode até ser, mas no caso do Nissan, esse motorzinho 1.0 é o mesmo que equipou o Peugeot 206 e equipa (até hoje) o vovô Renault Clio, há mais de 10 anos. Aliás, nosso Clio nem existe mais no primeiro Mundo.

Só pra se ter uma idéia, esse motor ainda possui a famigerada correia dentada. Essa peça foi substituída nos motores modernos por correntes de metal, que eliminam a necessidade de troca periódica. A troca da correia dentada, mesmo num carro simples, pode se tornar uma verdadeira dor de cabeça.

A maioria das oficinas mecânicas não possui ferramentas adequedas para todos os modelos de motores. Muitas vezes, após o serviço de troca de correia dentada, o motor pode ficar desregulado, fora de ponto, com tensão excessiva ou insuficiente da correia, causando danos a tensionadores e rolamentos, podendo até causar quebra após troca mal feita. O custo desse tipo de serviço também não é dos mais baratos, muitas vezes ao trocar a correia, acaba-se trocando bomba d'água e tensionadores também.

Outro pepino: você pode comprar um Nissan March usado em que a troca de correia não foi efetuada na quilometragem correta. Resultado: ela pode arrebentar na sua mão. Uma correia dentada que se arrebenta pode significar um prejuízo de milhares de reais, para que seja efetuada a retífica do motor.

O simples motivo do motor deste carro ainda vir equipado com este tipo de correia, na minha opinião, já seria motivo para se evitar a compra.

Se não bastasse, o bloco do motor do March é em ferro fundido, coisa que não existe em carro japonês já faz tempo. Em Civic e Corolla só se troca o fluído de arrefecimento depois dos 150~200 mil km, graças ao bloco de alumínio. No March acredito que não vai ser assim.

Se ao menos, houvesse uma extensa lista de equipamentos, design matador e um preço muito atrativo, quem sabe? Mas não é o que acontece. O carrinho tem preço semelhante aos seus pares: Gol, Palio, Ka, Celta, Clio etc.

A propaganda da Nissan ironiza os concorrentes, insinuando que eles vendem modelos "requentados", mas lançar um carro japonês com coração francês antigo não é lá pra ser orgulhar também, certo?


Finalizando o assunto motor: Na europa o March (ou Micra como é seu nome lá) é vendido com o novíssimo motor DIG-S 1.2 de injeção direta e turbocompressor.


O leitor deve estar pensando: "E daí que o motor é um pouco ultrapassado e ele não trouxe nada de diferente dos concorrentes, pelo menos é um projeto novo, é um carro que oferece mais segurança para minha família".

E não é que fomos surpreendidos novamente?

Ele passou recentemente pelo crash test no Latin NCAP (March Brasileiro) e ganhou nota bem baixa:


E passou também pelo Euro NCAP (March Europeu) e ganhou nota bem alta:



Os nossos japoneses não eram mais inteligentes que os outros? Pelo jeito, não mais.