sábado, 21 de janeiro de 2012

Arigato ou "Arigateau"? Nissan March e o motor francês

A propaganda da Nissan diz: Agora todo mundo pode ter um carro japonês. Será mesmo?

Depois que Civic e Corolla ganharam fama de serem inquebráveis e econômicos, no final da década de 90 e início dos 2000, aqui no Brasil, todo dono de automóvel mais bem informado sonha em ter um carro de olhos puxados. Eis que a Nissan traz o primeiro "carro popular francês japonês" para o Brasil.

Confesso que fiquei entusiasmado ao saber que teria a opção de comprar um carro japonês e pagar menos de R$ 60.000,00 por isso. Porém, quando comecei a levantar a ficha do Nissan March, logo bateu um desânimo: motores 1.0 e 1.6, sendo o 1.0 francês, resultado da parceria Renault/Nissan. Vou comentar apenas sobre o 1.0, que representará maior parte das vendas.

Acredito que 80% do sucesso de Civic e Corolla deve-se aos seus excelentes motores. Geralmente de litragem abaixo de 2.0, sempre foram econômicos, potentes e de baixíssima manutenção. Todo o restante do carro (acabamento, design, equipamentos) era em sua essência bem básico. Quem comprava carro japonês, comprava para ter segurança, tranquilidade e economia.

Voltando ao pequeno Nissan, será que vale a pena ter um carro dito japonês com um motor francês? O leitor pode até dizer que é um carro moderno e que motores modernos não dão tanto problema. Pode até ser, mas no caso do Nissan, esse motorzinho 1.0 é o mesmo que equipou o Peugeot 206 e equipa (até hoje) o vovô Renault Clio, há mais de 10 anos. Aliás, nosso Clio nem existe mais no primeiro Mundo.

Só pra se ter uma idéia, esse motor ainda possui a famigerada correia dentada. Essa peça foi substituída nos motores modernos por correntes de metal, que eliminam a necessidade de troca periódica. A troca da correia dentada, mesmo num carro simples, pode se tornar uma verdadeira dor de cabeça.

A maioria das oficinas mecânicas não possui ferramentas adequedas para todos os modelos de motores. Muitas vezes, após o serviço de troca de correia dentada, o motor pode ficar desregulado, fora de ponto, com tensão excessiva ou insuficiente da correia, causando danos a tensionadores e rolamentos, podendo até causar quebra após troca mal feita. O custo desse tipo de serviço também não é dos mais baratos, muitas vezes ao trocar a correia, acaba-se trocando bomba d'água e tensionadores também.

Outro pepino: você pode comprar um Nissan March usado em que a troca de correia não foi efetuada na quilometragem correta. Resultado: ela pode arrebentar na sua mão. Uma correia dentada que se arrebenta pode significar um prejuízo de milhares de reais, para que seja efetuada a retífica do motor.

O simples motivo do motor deste carro ainda vir equipado com este tipo de correia, na minha opinião, já seria motivo para se evitar a compra.

Se não bastasse, o bloco do motor do March é em ferro fundido, coisa que não existe em carro japonês já faz tempo. Em Civic e Corolla só se troca o fluído de arrefecimento depois dos 150~200 mil km, graças ao bloco de alumínio. No March acredito que não vai ser assim.

Se ao menos, houvesse uma extensa lista de equipamentos, design matador e um preço muito atrativo, quem sabe? Mas não é o que acontece. O carrinho tem preço semelhante aos seus pares: Gol, Palio, Ka, Celta, Clio etc.

A propaganda da Nissan ironiza os concorrentes, insinuando que eles vendem modelos "requentados", mas lançar um carro japonês com coração francês antigo não é lá pra ser orgulhar também, certo?


Finalizando o assunto motor: Na europa o March (ou Micra como é seu nome lá) é vendido com o novíssimo motor DIG-S 1.2 de injeção direta e turbocompressor.


O leitor deve estar pensando: "E daí que o motor é um pouco ultrapassado e ele não trouxe nada de diferente dos concorrentes, pelo menos é um projeto novo, é um carro que oferece mais segurança para minha família".

E não é que fomos surpreendidos novamente?

Ele passou recentemente pelo crash test no Latin NCAP (March Brasileiro) e ganhou nota bem baixa:


E passou também pelo Euro NCAP (March Europeu) e ganhou nota bem alta:



Os nossos japoneses não eram mais inteligentes que os outros? Pelo jeito, não mais.


14 comentários:

  1. Fui ver o carrinho na concessionária. É um pouco decepcionante pra quem esperava um popular japonês. Precisava de um pouco mais de qualidade no acabamento do interior, já que o exterior não é nem de longe bonito.

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  2. Errado, o nosso Clio ainda existe no primeiro mundo
    http://www.renault.fr/gamme-renault/vehicules-particuliers/clio/clio-campus/.

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  3. Faz qtos km/l na cidade com gasolina? Mais de 11?

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  4. @diogo

    O carro existe, mas é uma versão de entrada. Lá tem os dois, o Clio de verdade, e o Clio velho bem mais barato, para quem quer economizar.

    E pode apostar que o Clio mais barato deles, é bem melhor que o que você paga caro aqui.

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  5. Acredito que as duas estrelinhas a mais se devam ao fato de o modelo europeu possuir airbags de cortina.

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  6. Tudo bem, o motor é francês, mas a estrutura do carro é independente do motor.
    Se ele foi péssimo no Latin NCAP, azar o nosso, por que ele foi mal estruturado, como a maioria dos carros vendidos aqui.
    Faça a comparação de carros vendidos na Europa(geral) e Brasil.

    "Finalizando o assunto motor: Na europa o March (ou Micra como é seu nome lá) é vendido com o novíssimo motor DIG-S 1.2 de injeção direta e turbocompressor."

    Isso é culpa sua, culpa minha, culpa da população que acha que motor com turbo ( vide marea, que não sabem cuidar de motor turbo e acabam criando má fama, tanto que não temos tanto carros turbos ) é caro. Quando começarmos a mudar a concepção de melhorias e deixarmos de usar etanol e gasolina com 25% de etanol talvez melhoremos nossa situação.

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  7. Bom, como proprietário de um Sandero equipado com o mesmo motor, tenho que discordar em grande parte do texto.
    Se for pra escolher um carro que use corrente ao invés de correia dentada, definitivamente as opções do mercado ficam muito limitadas.
    O que posso garantir é que este motor não deixa a dever em NADA perante os concorrêntes. Consigo médias de 15km/l sem grandes esforços e usando o ar condicionado. O desempenho pode até ser sofrível, mas todos os concorrêntes diretos também são, fiz teste drive em todos eles. Desconsiderando que não mais comprarei carro 0km, se estivessemos em agosto de 2010 e o March fosse vendido nesta época, certamente seria minha escolha.
    Alias, acho que o fato de ser 16v é o maior diferencial deste motor perante a concorrência. Enfim, estou bem satisfeito. Pode até não ser o melhor da categoria, mas certamente passa longe de ser o pior... EU, recomendo.

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  8. Axo que ouve um equivoco na publicação, pois pelo oq eu saiba o motor do march ele foi cedido sim pela renault mas do logan, e não do clio como foi informado. Fiz as comparações e o motor do logan bate msm com o do march, da uma pesquisada e informa isso..! vlw

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  9. Anônimo de cima, todos os 1.0 16v usados pela Renault/Nissan são os mesmos. Talvez com algumas alterações de motor e câmbio para modelos em específico, mas o motor é o mesmo. Logan, Sandero, March e Clio usam o mesmo motor.
    Silas

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  10. FUI LUDIBRIADO:


    Comprei um March 1.0 na "Carneiro Automotores Ltda" - em João Pessoa - PB em 12 de Abril de 2012. O carro a partir dos dois primeiros meses começou a apresentar perda de força e barulho estranho no motor, com os indicadores de luzes de advertência aparecendo no painel. Encontra-se também com problemas na aceleração. Fiz a revisão de 10.000 quilômetros há 3 semanas. O problema continua, deixando-me impossiblitado de fazer viagens no referido automóvel.

    Hoje mesmo o carro está parado a frente de minha residência e, pela quinta vez, vai ser rebocado para a concessionária em J. Pessoa. Tenho envidados esforços, mas o chefe da oficina não tem como solucionar o problema. Já fez vários testes e reparos, e o problema sempre volta.

    Quero, na oportunidade, esclarecer que irei tomar providências cabíveis junto a Justiça para conseguir a troca do carro por outro do mesmo tipo, como também estou preparando denúncia junto a Imprensa, pois não é admissível que numa época de grande evolução tecnológica, um caso desse tipo esteja acontecendo.

    (Carta enviada ao SAC_Nissan em 15 de abril de 2013)

    Guarabira, 15 de abril de 2013
    Levi Bronzeado dos Santos (Médico e colaborador da Coluna “Leitor” da Revista VEJA)
    Rua J. KennedY , 567 Bairro Novo
    Guarabira, PB CEP: 58200.000
    há 9 horas • Curtir

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  11. Constando que este veículo utiliza a excelente marca de pneus Maxxis porém ambas as medidas no aro 14 e 15 são difíceis de encontrar, sendo elas medidas novas no mercado. Na troca dos 4 pneus, se não encontrada a medida original no aro 14, pode ser utilizada a medida 175/65r14 e no caso do aro 15, pode ser utilizada a 185/60r15. Ambas podem ser utilizadas e por serem mais comuns, são mais baratas.

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  12. A Nissan faz tudo de ruim que as outras montadoras fazem no Brasil. E pior, seu desenhos não agradam. Quando ele usa o que tem de melhor é competitiva, mas quando dá uma de Chevrolet (bonitinha, mas ordinária) joga por terra a tradição japonesa. Ela copia a Honda e Toyota quando nos oferece carros sem segurança: Baixo Índice N-Cap, não oferece Controle de Estabilidade e ,também, não oferece Controle de Tração. Isto só para o Brasil. É muita falta de respeito e consideração. Deveríamos fazer o mesmo, NÃO COMPRAR OS SEUS LIXOS.

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  13. Enquanto os nossos consumidores, com os relatos acima, continuarem não considerando as evoluções tecnológicas, como Corrente para o Comando de Válvulas e Direção com Assistência Elétrica, as montadoras irão continuar ganhando muito dinheiro com a nossa pouca exigência. Irão nos oferecer carros de construção barata e ultrapassada, mas com preços de primeiro mundo. VAMOS SER MAIS EXIGENTES QUE O MERCADO VAI NOS ATENDER. Vejam o diferencial que a Toyota nos oferece com o Etios, mesmo direcionado para os Emergentes, não abriu mão da tecnologia no Conjunto Mecânico (Bloco de Alumínio, Corrente e Direção Elétrica). Já está vencendo a resistência dos Fan Boys da GM que gostam de porcarias bonitinhas. ABRE O OLHO, BRASIL!

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  14. Palmares, você tem razão em tudo. Só faço um aparte. Estou pesquisando sobre carros e descobri que a Nissan finalmente incluiu o controle de estabilidade e tração a partir de uma versão de 75 mil reais do Sentra (outubro de 2015), coisa que a Toyota Corolla ainda não fez (nem fará até que parem de comprar aquele carro caríssimo (para o que oferece) que se diz de luxo sem ser, só porque caiu no gosto do brasileiro). Quanto a não comprarmos, a situação é mais complexa. Creio que o que está havendo é uma espécie de "cartel" dessas montadoras, que, mesmo sem se encontrar às escondidas, nivelam a construção dos automóveis por baixo (baixíssimo) em total desrespeito ao ignorante povo brasileiro. Muitos consumidores já sabem que os carros são ruins, mesmo sendo leigos, temos a internet para divulgar informações. Porém, se precisamos de um carro, não temos muita escolha se não existe similar de qualidade com preço axcessível. Falando de carros caros, pois nesses é que poderia sob hipótese existir alguma qualidade, dou exemplos: sabendo que já está ultrapassado, a Peugeot lançou o 2008 com câmbio automático de quatro marchas ultrapassado, usando o de 6 marchas no 408. Já o Jeep Renegade não tem versão com controle de tração (CT) e estabilidade (ESP) (?), ainda estou pesquisando. O Mitisubish Lancer de uns dois anos atrás tinha um câmbio CVT que esquentava e só apresentava ESP e TC na versão top caríssima, sendo que a versão imediatamente menor já custava mais de 80 mil reais sem isso. Em 2013, o Renault Fluence ainda tinha modelo antigo quando o da Europa era moderno e o GPS não era touch screen. Anos depois lançaram. Esperei, mas agora não me interessa mais. O Honda HR-V parecia ideal, mas aumentaram 6 mil reais do meio do ano pra cá e dizem fazer um barulho infernal no câmbio CVT quando em alta velocidade. O câmbio automático Powershift da Ford dá problemas, vi vários no Reclame Aqui. O HB20 caro tem suspensão dura e câmbio automático de 4 marchas, alguns se queixando do consumo. O câmbio do Toyota Etios dá problema em marcha lenta. E quando reclamam eles respondem: "É característica do veículo". Façam-me o favor! Pensei que falha de projeto tivesse outro nome. E os outros nem falo, pois são ultrapassados, caros demais, inseguros, com baixa qualidade das peças e tantas queixas. O tempo passou e ainda consegui comprar meu carro, nem 1.0, nem mais potente. Não consigo confiar em câmbio automático não japonês. Está difícil! Finalmente, agradeço ao autor do texto pela informação, pois de jeito nenhum vou comprar o Nissan March, pois além de feio, tem mecânica duvidosa. Quem sabe o Nissan Versa, vou pesquisar sobre o motor.

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